9 de jun de 2016

RUI BARBOSA - Conferência de Haia

PEDRO LUSO DE CARVALHO
Para os que conhecem a fase em que o Brasil esteve representado na Conferência de Haia certamente não desconhecem que, dentre os que dela participaram, Rui Barbosa foi nome mais importante dentre todos os que representaram os seus respectivos países, estes em número de quarenta e oito.
Rui Barbosa foi convidado para chefiar a delegação brasileira da Paz, convocada para Haia. Rui relutou em aceitar o convite feito pelo Presidente da República, Afonso Pena, de quem era amigo e colega de turma da Faculdade de São Paulo. Foi também em razão dessa amizade que Rui desistiu de sua candidatura à Presidência da República, deixando aberto o caminho para a eleição de Afonso Pena.
Depois de quarenta e dois dias pensando na possibilidade de não aceitar o convite do amigo Afonso Pena, decidiu-se pela aceitação do convite. Iria à Haia, para representar o Brasil na Conferência de Paz.
Numa carta que dirigiu a Nabuco, em 1906, disse Rui: “Estou velho e doente, e conquanto ainda se não me apagasse de todo o fogo sagrado, isto é, o entusiasmo e a esperança, já não assumo iniciativas, nem me exponho a temeridades. Os anos, o atrito das coisas hostis, cujo quinhão me tem sido acerbo e quotidiano, desenvolveram em mim uma desconfiança, que não consigo vencer, senão quando algum dever irresistível me impõe obediência cega”.
André Weiss, grande jurista de renome mundial, professor da Universidade de Paris, assim se expressava, por ocasião da escolha de Rui para membro da Academia de Ciências Morais do Instituto de França: “O Delegado do Brasil à Segunda Conferência da Paz, Rui Barbosa, revelou, nesta assembleia, onde tinham assento os representantes de todas as nações civilizadas, e, pela primeira vez, os da América Latina, as mais altas qualidades de jurisconsulto”.
Prossegue André Weiss: “Em todas as ocasiões, e com uma altura de vista verdadeiramente admirável, o representante do Brasil se fez o defensor da igualdade política dos estados soberanos, pequenos ou grandes, e batalhou pela proteção dos fracos contra o abuso dos fortes”.
Em novas postagens voltarei a esse mesmo tema, Rui Barbosa na Conferência de Haia, para fazer novas abordagens sobre esse momento, e também juntando outras manifestações de juristas a respeito da importância Rui, segundo suas visões, a exemplo André Weiss, como acima foi referido.

REFERÊNCIA: Mangabeira, João. Rui. O Estadista da República. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1943, 110-112.

                                                                                   
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